top of page

Da Margem ao Mundo: A Linguagem Visual do Breaking


O estilo no breaking nunca foi sobre acompanhar moda. Foi sobre construir linguagem própria quando ninguém oferecia voz. Nas esquinas esquecidas do Bronx, onde as comunidades negras e latinas foram empurradas para fora do sistema, o que se vestia dizia o que o mundo se recusava a escutar. O tênis limpo, a jaqueta com volume: nada era casual. Tudo era símbolo. Tudo era código. A estética dos b-boys e b-girls era, desde o início, extensão da luta por espaço, respeito e identidade.


Enquanto o centro ignorava ou distorcia essas expressões, as ruas criavam um vocabulário visual próprio. O estilo passou a funcionar como fronteira, escudo e bandeira. Quem sabia ler, entendia. Quem via de fora, achava exagero. Décadas depois, esse visual virou tendência global, mas pouca gente lembra que ele nasceu como resistência, como resposta à ausência, como declaração de presença num mundo que preferia não ver.

Só que esse legado não ficou no passado. Ele se move até hoje, ecoando em cada criação que respeita a origem, em cada peça que não finge neutralidade. Porque estilo, nas ruas, nunca foi vaidade. Sempre foi afirmação. E quem entende isso sabe: criar roupa é criar discurso. Lançar coleção é lançar posição.


É por isso que, pra gente, estética não é superfície. É história viva. É continuidade. É memória em movimento. Cada peça que nasce aqui carrega intenção, propósito e consciência. A gente não veste o que está na moda. A gente veste o que nasceu como resposta e segue como identidade.


Como prometido, aqui vai um conteúdo exclusivo pra você que comentou “Breaking” e tá no corre por mais do que só aparência.

Quando falamos de estilo no Hip Hop, não estamos falando de tendência. Estamos falando de sobrevivência, identidade e linguagem própria. Três documentários são chave pra entender isso na raiz:


🎥 Fresh Dressed (2015)

"Fresh Dressed" é um documentário lançado em 2015, que retrata a história da moda no universo do Hip-Hop e sua influência na cultura global.


O filme percorre a trajetória da moda Hip-Hop desde suas origens no South Bronx, nos anos 70, até se tornar uma indústria bilionária. Conta com entrevistas de nomes como Kanye West, Pharrell Williams (Atualmente Diretor Criativo Masculino da Louis Vuitton), Sean Combs e Damon Dash, além dos fundadores de marcas icônicas como FUBU, Cross Colours e Karl Kani.

A produção destaca peças que marcaram época — como os tênis com cadarços grossos, os bonés Kangol e as jaquetas grafitadas — mostrando como esses itens saíram das ruas para influenciar a alta costura. Mais do que estilo, o documentário reforça que a moda Hip-Hop sempre foi uma poderosa forma de autoexpressão e resistência.




🎥 Style Wars (1983)

O documentário explora diferentes visões sobre o graffiti, reunindo depoimentos de artistas, autoridades (como o ex-prefeito de Nova York, Ed Koch), policiais, funcionários do metrô e moradores. Participam nomes importantes da cena como Kase 2, Dondi, Seen, Skeme, além do documentarista Henry Chalfant e o b-boy Crazy Legs do Rock Steady Crew.

A produção apresenta o graffiti como expressão artística legítima, mas também mostra os esforços intensos do governo da cidade para combatê-lo — incluindo campanhas milionárias, barreiras físicas no metrô e uso de cães policiais.

Mais do que um debate sobre legalidade, o filme discute a falta de espaço para jovens artistas, muitos deles marginalizados, que encontram no graffiti uma forma de se expressar e afirmar sua identidade. O documentário revela a tensão entre arte e transgressão, mostrando o graffiti como um símbolo de resistência urbana.




🎥 Nos Tempos da São Bento (2010)


Lançado em 2010, o documentário "Nos Tempos da São Bento" traz à tona a história do início do movimento Hip Hop na capital paulista, concentrando-se na região da Rua 24 de Maio e do Metrô São Bento — berço de muitos dos primeiros artistas que deram voz a essa cultura no Brasil.

Mais do que um registro, o documentário celebra o legado e a resistência cultural do movimento, ressaltando como, desde seus primórdios, o Hip Hop em São Paulo foi uma expressão de identidade, crítica social e arte popular. Em paralelo ao lançamento, atividades como workshops, debates sobre estilo, estética e ética, e exposições artísticas reforçaram a riqueza cultural e a relevância do hip hop como um setor fundamental da cultura nacional.

"Nos Tempos da São Bento" é uma homenagem a uma história que merece ser lembrada e valorizada, mostrando que o hip hop paulistano não é apenas música ou dança, mas um movimento que transformou vidas e espaços urbanos, e que segue ecoando com força até hoje.




Se você cria, dança, veste ou vive o Hip Hop, estudar esses três filmes é obrigação. Porque antes de se vestir, a gente se posiciona.


Não esqueça de seguir a Nest nas redes sociais:

 
 
 

Comentários


Receba as novidades

Valeu por acompanhar essas ideias!

CONHEÇA O SITE

veiz-vn-frente.png
  • Instagram
  • Facebook

Não perca nenhum post

Valeu por acompanhar essas ideias!

© Nest Panos 2021. Todos direitos reservados.

bottom of page