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Bruno Silva: skate, troca e trajetória


Bruno “Melão” Silva, 27 anos, natural de Porto Alegre (RS), acumula mais de 16 anos de vivência no skate, uma caminhada marcada pela dedicação desde cedo, viagens pelo país e pela construção de uma trajetória onde o skate deixou de ser apenas um hobby para se tornar parte central da sua vida.


NEST: O que significa pra você visitar e andar de skate em uma cidade como Bento/Garibaldi, que não é um grande centro do skate?


BRUNO: Eu já colei várias vezes pra cá, desde quando eu ainda era amador, bem no começo mesmo. Eu sempre gostei de fazer rolê em cidades do interior, porque acaba sendo mais coletivo, a galera fica mais próxima e mais atenciosa. Diferente das capitais, onde tudo acontece o tempo todo, no interior quando rola um evento ou uma sessão assim a comunidade valoriza muito mais.

O pessoal recepciona diferente, porque não tem tantos eventos acontecendo com frequência, então quando acontece vira algo marcante pra quem tá ali. Eu gosto bastante desse contato mais direto com a cena local. A última vez que eu tinha vindo faz uns dez anos, num campeonato que aconteceu no ginásio, e agora voltar e ver que vários obstáculos ainda estão sendo usados, que a galera continua andando e cuidando do espaço, é muito da hora. Dá uma sensação de continuidade, de ver que o skate segue vivo ali.


NEST: Qual foi o momento que fez tu perceber que o skate era mais do que um hobby na tua vida?


BRUNO: Acho que foi bem no começo, porque desde cedo eu sempre fui muito dedicado. Eu andava fazia uns seis ou sete meses e já estava ganhando material de algumas marcas, e o pessoal começava a falar que eu tinha potencial, que poderia ir longe. Ao mesmo tempo que era legal ouvir isso, também dava uma dúvida, porque eu pensava se estavam só tentando agradar ou se realmente eu tinha talento pra aquilo.

Logo depois veio meu primeiro patrocínio e comecei a viajar, principalmente pra São Paulo. Foi quando comecei a viver experiências fora da minha cidade e entender como funcionava o skate de verdade. A partir dessas viagens e oportunidades eu percebi que era isso que eu queria fazer da minha vida. Ali as coisas começaram a acontecer de forma mais concreta e o skate deixou de ser só diversão pra virar um caminho mesmo.


NEST: Como o contato direto com a galera local, trocar ideia, andar junto e compartilhar experiência influencia na tua trajetória como skatista?



BRUNO: Quando eu cheguei na quadra hoje, uma galera ainda lembrava de mim da outra vez que eu vim, e isso foi muito da hora. Saber que uma visita tua marcou alguém já muda totalmente a forma como tu enxerga o rolê. Voltar depois de anos e reencontrar pessoas, relembrar momentos e ainda conhecer uma nova geração andando ali junto mostra como o skate vai conectando tudo.

Essa troca é muito importante, porque a gente consegue inspirar quem tá começando e ao mesmo tempo aprender também. A galera chega pra trocar ideia, pedir dica de manobra, conversar sobre skate, e isso acaba sendo parte do que eu mais gosto dentro do rolê. Não é só andar, é compartilhar experiência e fortalecer quem tá vindo agora.


NEST: Que conselho você daria pra quem está começando no skate agora, especialmente em cidades menores?


BRUNO: O principal é fazer por amor, não começar pensando só em ser campeão ou alcançar algum status. Claro que todo mundo sonha alto, mas isso não pode ser o único motivo pra andar de skate. Numa capital já é mais fácil, tem mais acesso a material, eventos e oportunidades de patrocínio. No interior a realidade é diferente e exige ainda mais dedicação.

Quem vem de cidade menor precisa correr muito mais atrás, viajar bastante, estar sempre se movimentando pra conseguir se inserir na cena. Eu mesmo, sendo de Porto Alegre, passei muito tempo em São Paulo porque era onde as coisas aconteciam. Voltava pra casa poucas vezes no ano, praticamente só em datas importantes, porque estava sempre viajando.

É uma correria grande e exige muita entrega, porque às vezes tu olha pra trás e percebe tudo que abriu mão no caminho. Mas ao mesmo tempo tu entende que tá vivendo o que ama, e isso acaba fazendo valer a pena. No fim, quando é feito com verdade, as coisas acabam dando certo.

 
 
 

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