José Martins: skate, troca e trajetória
- Nest Panos
- há 1 dia
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José Martins, conhecido como Zezinho, tem 39 anos e carrega desde 1998 uma trajetória construída dentro do skate. Natural do interior de São Paulo, iniciou sua caminhada em Birigui e, ao longo dos anos, percorreu diferentes cidades e cenas, mantendo uma relação constante com o skate como cultura, aprendizado e troca.
NEST: Qual é o teu nome, tua idade, tua cidade e há quanto tempo tu anda de skate?
ZEZINHO:Eu sou o Dazé Martins, conhecido como Zezinho. Tenho 39 anos e ando de skate desde 1998. Eu sou de Birigui, interior de São Paulo.
NEST: Como esse contato com a galera das cidades menores, trocar ideia e compartilhar experiência, influencia na tua trajetória como skatista?
ZEZINHO: Cara, é aprendizado, né. Acho que tudo é aprendizado. Na verdade, a gente também tá aprendendo bastante, por mais que a gente esteja numa posição assim.
A gente tá vivendo um sonho que esses meninos talvez estão sonhando em viver também, então a gente já tá vivendo esse sonho. Então é uma troca, uma via de mão dupla.
A gente passa um pouco da nossa experiência, fala como é a nossa vida, e ao mesmo tempo a gente tá aprendendo com o cotidiano dessas pessoas nesse local.
Então eu acho que é um aprendizado pra todo mundo. Pra mim é ótimo, eu tô aprendendo também, então sou muito grato a isso.
NEST: Tu começou a andar em 1998 e pegou toda a transição do skate, das revistas e VHS até o digital. Como tu vê essa mudança hoje?

ZEZINHO:É uma ótima pergunta, porque é muito difícil a gente ver tudo isso. Ao mesmo tempo que tá tudo mais fácil, mais acessível, parece que tá tudo mais difícil.
Naquela época era tudo mais centralizado em alguns veículos. Então, se você se destacava, você realmente se destacava, a galera te conhecia.
Hoje em dia você tem tudo na mão, você mesmo faz sua carreira. Só que é muita gente fazendo. Antes também tinha muita gente andando, mas nem todo mundo era visto.
Então hoje acabou ficando até um pouco mais difícil, porque quando tudo fica muito fácil, às vezes perde um pouco a graça.
A gente viveu essa época, então a gente se sente muito abençoado por ter passado por isso e agora a gente tá se adaptando.
Naquela época a gente tinha muito essa cultura de pesquisar. A gente ia atrás de revistas, vídeos antigos, queria saber quem veio antes. Hoje a informação tá fácil, mas muita gente não pesquisa, então acaba se perdendo um pouco na cultura.
NEST: O que significa pra ti visitar e andar de skate em cidades menores como Bento e Garibaldi?
ZEZINHO: Cara, a experiência é ótima. Eu me sinto em casa, porque eu sou um skatista que saiu do interior.
Fui fazer minha carreira na capital, passei por grandes centros, mas eu sou do interior. Então quando eu venho pra esses lugares, eu me sinto em casa.
Pra mim é ótimo ver que as coisas estão acontecendo aqui também, porque eu sei o quanto é difícil fazer acontecer. Eu também sou um fomentador da cena e sei o corre que é.
Então quando eu vejo isso, eu acho maravilhoso.
NEST: Em que momento tu percebeu que o skate não seria só um hobby na tua vida?
ZEZINHO:Acho que foi quando eu comecei a viajar bastante, conhecer a galera do Brasil.
Hoje ainda é um trabalho, mas a gente encara como diversão também, como lá no começo.
Mas quando comecei a conhecer várias pessoas do meio, pessoas com história, e essas pessoas começaram a falar bem de mim, da minha caminhada, aí eu pensei: é isso que eu quero.
É isso que eu vou seguir, é isso que eu quero fazer na minha vida.
NEST: Que conselho tu daria pra quem está começando, principalmente em cidades menores?
ZEZINHO: Eu acho que é persistência. A gente aprende isso no skate.
É mais difícil mesmo, não tem milagre. Cidade grande tem mais acesso a tudo, cidade menor tem menos.
Então o conselho é persistir e ir atrás. Onde tiver skate, se você gosta, você tem que ir.
Tem que passar pelas dificuldades. Eu passei por isso, saí novo de casa, briguei com família, dormi na rua, não tinha dinheiro.
Mas tudo em prol do que eu acreditava. Nem acreditava muito que ia dar certo, mas acreditava em viver aquilo, conhecer pessoas, viver o skate.
E depois voltar e tentar fazer acontecer na sua cidade também. Isso é muito importante, ajudar a cena local.





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