Nathan Souza: skate, troca e trajetória
- Nest Panos
- há 13 minutos
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Nathan Souza, 26 anos, natural de Joinville (SC), soma 14 anos de dedicação ao skate, uma trajetória construída entre conquistas, pausas inesperadas e a certeza de que o skate vai muito além da prática esportiva.
Nest: O que significa pra você visitar e andar de skate em uma cidade como Bento/Garibaldi, que não é um grande centro do skate?
Nathan: Eu acho que é muito sobre o sentimento de perceber que a galera realmente gosta de skate. Quando tu chega numa cidade menor e vê as pessoas motivadas, andando junto, trocando ideia, isso acaba incentivando ainda mais a continuar andando e buscando viver outras experiências como essa. Muitas vezes a gente passa por dificuldades, momentos em que fica meio desanimado, mas quando tá todo mundo junto, compartilhando uma energia boa, isso muda completamente o momento. Essa troca influencia não só naquele dia, mas também na trajetória que vem depois, porque tu leva esse sentimento contigo e isso acaba motivando a seguir em frente.
Nest: Qual foi o momento que fez tu perceber que o skate era mais do que um hobby na tua vida?

Nathan: Foi algo que aconteceu bem cedo, mas de forma natural. Eu venho de uma família que não tem tantas condições e lembro que no primeiro campeonato em que consegui um resultado bom, ganhei uma premiação legal. Cheguei em casa com vários prêmios e vi minha mãe muito feliz com aquilo, e ali comecei a pensar que talvez o skate pudesse ser mais do que só diversão, que poderia existir um futuro.
Depois veio meu primeiro patrocínio, eu tinha uns 15 anos e recebia uma pequena ajuda de custo. Não era muito dinheiro, mas pra mim já significava bastante, porque mostrava que alguém acreditava no que eu estava fazendo. Com o tempo tive uma lesão mais séria e fiquei uns dois ou três anos afastado do skate. Esse período foi importante porque comecei a entender o skate além da prática, comecei a acompanhar mais, viver o skate de outras formas e perceber o quanto aquilo fazia parte da minha vida.
Acho que o momento definitivo em que deixou de ser hobby e virou compromisso foi por volta dos 22 anos, quando começaram contratos, organização de viagens, responsabilidades com campeonatos e a necessidade de estar presente pensando numa projeção de carreira. Ali virou realmente um trabalho, algo que exigia dedicação e responsabilidade.
Nest: Como o contato direto com a galera local, trocar ideia, andar junto e compartilhar experiência influencia na tua trajetória como skatista?
Nathan: Influencia muito, porque é justamente essa troca que mantém a motivação. Sentir que as pessoas gostam de skate e estão vivendo aquilo junto contigo faz querer continuar buscando novas oportunidades de viver essas experiências. Às vezes tu tá passando por dificuldades pessoais ou momentos mais difíceis dentro do skate, mas quando chega num lugar e encontra uma galera unida, trocando energia boa, isso muda o estado de espírito. Essa conexão acaba influenciando tanto o momento atual quanto o caminho que ainda vai acontecer dentro da trajetória.

Nest: Que conselho você daria pra quem está começando no skate agora, especialmente em cidades menores?
Nathan: Acho que o principal, principalmente em cidade menor, é entender que vão existir menos oportunidades e menos incentivo, então os skatistas precisam se unir e fazer acontecer por conta própria. Muitas vezes a cidade não oferece estrutura, então a própria cena precisa criar os eventos, produzir vídeos, fotos e movimentar o skate local.
Hoje a internet ajuda muito nisso, porque dá pra mostrar o trabalho, chamar atenção de marcas e conectar a cidade com outras cenas. O fato de ser uma cidade pequena não diminui o potencial de ninguém de fazer algo relevante no cenário nacional. Quando todo mundo se junta e trabalha junto, a força é muito maior do que cada um tentando fazer algo sozinho.





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